Pesquisa relaciona excesso de confiança de motoristas a maior risco no trânsito

Publicado em: 31/08/2026
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A percepção de segurança dos motoristas brasileiros nem sempre acompanha os riscos presentes nas rodovias. É o que indica um estudo internacional realizado pela Economist Enterprise com apoio da fabricante italiana Brembo, que identificou uma diferença relevante entre a confiança dos condutores e a avaliação de especialistas em segurança viária.

A pesquisa ouviu mais de 6 mil pessoas em dez países e mostrou que cerca de nove em cada dez motoristas afirmam se sentir seguros ao dirigir. Entre os especialistas consultados, porém, menos da metade apresenta a mesma percepção. O Brasil aparece entre os países nos quais os condutores demonstram maior confiança, apesar dos desafios enfrentados pelo trânsito e pela infraestrutura rodoviária.

O levantamento também chama atenção para uma mudança no debate sobre segurança. Com a evolução dos veículos e a incorporação de sistemas eletrônicos de assistência à condução, como os ADAS, o desafio não está apenas em desenvolver novas tecnologias, mas também em garantir que os motoristas saibam utilizá-las corretamente.

Recursos como frenagem automática de emergência, controle adaptativo de velocidade, alerta de mudança de faixa e monitoramento de pontos cegos podem contribuir para evitar ocorrências ou reduzir sua gravidade. No entanto, esses sistemas possuem limitações e não eliminam a necessidade de atenção permanente ao ambiente externo.

Outro ponto destacado pelo estudo é que a própria tecnologia pode se transformar em fonte de distração quando utilizada de maneira inadequada. Telas, comandos eletrônicos e diferentes alertas presentes nos veículos podem desviar a atenção do condutor e criar uma falsa sensação de segurança.

O presidente do SINACEG, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, comentou sobre o assunto, destacando que os recursos eletrônicos representam uma evolução importante para a segurança, mas não substituem a atuação do motorista.

“Quanto mais tecnologia o veículo recebe, maior precisa ser a consciência de quem dirige. Segurança não é apertar um botão e transferir decisões para o carro. Ela continua dependendo da capacidade do motorista de ler o ambiente, antecipar riscos e agir no momento certo. A tecnologia é uma aliada, mas a responsabilidade continua sendo humana,” afirmou.

A condução segura continua dependendo da capacidade de interpretar o ambiente, identificar situações de risco e tomar decisões adequadas. Os equipamentos podem auxiliar o motorista, mas não assumem integralmente a responsabilidade pela condução.

O diretor regional do SINACEG, Márcio Galdino, também ressalta que a experiência acumulada pelos profissionais que percorrem diariamente as rodovias permanece fundamental. Para ele, apesar das mudanças ocorridas dentro das cabines nos últimos anos, as condições encontradas nas estradas continuam exigindo atenção constante e capacidade de adaptação.

No transporte de cargas, motoristas precisam tomar decisões continuamente, muitas vezes em poucos segundos, considerando fatores como condições da pista, clima, tráfego, comportamento de outros veículos e características da carga transportada. Nesse contexto, os sistemas de assistência podem oferecer suporte, mas não substituem a percepção e a experiência profissional.

O levantamento reforça, assim, que a percepção individual de segurança não deve ser confundida com a ausência de riscos. Em um cenário de veículos cada vez mais tecnológicos, conhecer os recursos disponíveis e, principalmente, compreender seus limites é parte fundamental da segurança nas rodovias.