Pesquisa brasileira sobre frota pesada entra no debate internacional sobre emissões

Publicado em: 30/10/2026
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Uma pesquisa brasileira sobre a utilização de caminhões e ônibus ao longo de sua vida útil ganhou espaço no debate internacional sobre eficiência energética, renovação de frota e redução de emissões. Desenvolvido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o estudo foi apresentado durante a European Transport Conference 2026, realizada na cidade do Porto, em Portugal, reunindo informações sobre o comportamento operacional de mais de 200 mil veículos pesados no Brasil.

O trabalho demonstrou como informações coletadas diretamente das operações de transporte podem contribuir para decisões empresariais e para a formulação de políticas voltadas à modernização do setor.

A pesquisa utiliza dados do Programa Despoluir, iniciativa ambiental da CNT e do SEST SENAT, e integra a publicação “Transporte em Foco – Quanto rodam os veículos pesados no Brasil?”, divulgada no início de 2026.

Para a elaboração do estudo, foram consideradas mais de 1,4 milhão de avaliações realizadas entre 2022 e 2025, abrangendo 207.827 caminhões e ônibus de todos os estados brasileiros. O levantamento também atualiza uma referência sobre o uso de veículos pesados que não era produzida no país havia mais de 12 anos.

Quilometragem e idade ajudam a compreender o uso da frota

Um dos principais resultados da pesquisa é a construção de curvas de intensidade de uso, que permitem acompanhar como a quilometragem percorrida pelos veículos varia conforme o tempo de utilização e a categoria.

De maneira geral, os dados indicam que caminhões e ônibus mais novos tendem a percorrer distâncias maiores, enquanto veículos mais antigos apresentam redução gradual da quilometragem anual. Esse comportamento, entretanto, não ocorre de maneira uniforme, já que diferentes tipos de veículos apresentam características próprias de operação.

A análise demonstra que considerar apenas a idade de um caminhão ou ônibus não é suficiente para compreender seu impacto sobre o transporte. A distância efetivamente percorrida também influencia o consumo de combustível, os custos operacionais, o desgaste dos componentes e a quantidade de emissões geradas durante sua utilização.

Com essas informações, transportadores podem avaliar melhor o desempenho de suas frotas e identificar o momento mais adequado para substituir veículos, considerando tanto os aspectos econômicos quanto os ambientais.

Dados podem orientar renovação e políticas ambientais

O estudo também oferece elementos para aprimorar os cálculos de emissões do transporte rodoviário. Como veículos de diferentes idades e tecnologias apresentam níveis distintos de consumo e emissão de poluentes, conhecer sua intensidade de utilização permite elaborar estimativas mais próximas das condições reais de operação.

A aplicação desses dados pode contribuir para o desenvolvimento de programas de renovação de frota, estratégias de eficiência energética e políticas públicas de redução de emissões.

Para o transporte rodoviário de cargas, esse tipo de levantamento é especialmente relevante diante dos desafios associados à modernização dos veículos e à necessidade de conciliar produtividade, custos operacionais e sustentabilidade.

A pesquisa reforça que a renovação da frota deve considerar não apenas a quantidade de veículos antigos em circulação, mas também a frequência e a intensidade com que são utilizados. Dessa forma, medidas de modernização podem ser direcionadas às situações em que apresentam maior potencial de impacto.

Pesquisa brasileira integra discussões para a COP31

A apresentação na European Transport Conference, realizada na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, também faz parte da preparação do Sistema Transporte para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), prevista para novembro, em Antália, na Turquia.

Ao levar os resultados da pesquisa para um encontro internacional, a CNT busca ampliar o intercâmbio de informações sobre os desafios enfrentados pelo transporte brasileiro e as alternativas adotadas em outros países para reduzir emissões.

O levantamento integra um conjunto de estudos desenvolvidos pelo Sistema Transporte sobre eficiência energética, fontes de energia, renovação de veículos e adaptação às mudanças climáticas.

A participação brasileira na COP31 também prevê atividades no Pavilhão Internacional do Transporte, organizado em parceria com a SLOCAT Partnership.

A produção de dados sobre o uso efetivo de caminhões e ônibus representa uma contribuição importante para o planejamento do setor. Ao relacionar idade, quilometragem e características operacionais, a pesquisa oferece uma base técnica para discutir a modernização da frota brasileira e buscar soluções que conciliem eficiência econômica, segurança e redução dos impactos ambientais do transporte rodoviário.