Quase 90% das transportadoras reclama de falta de caminhoneiros

Publicado em: 16/06/2026
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A falta de motoristas profissionais tem se consolidado como um dos principais desafios do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Empresas do setor relatam dificuldades crescentes para contratar caminhoneiros, situação que já provoca ociosidade de frotas e impacta a capacidade operacional das transportadoras.

Levantamento da NTC&Logística, divulgado em maio, aponta que 88% das empresas enfrentam problemas para preencher vagas de motoristas e agregados. Entre as transportadoras afetadas, a média é de oito caminhões parados por falta de profissionais habilitados para operar os veículos.

A escassez de mão de obra acompanha uma redução expressiva no número de condutores aptos a dirigir veículos pesados. Dados da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) indicam que o total de motoristas habilitados caiu de cerca de 3,5 milhões para 1,3 milhão na última década. Ao mesmo tempo, a categoria envelhece e enfrenta dificuldades para atrair novos profissionais.

Representantes do setor apontam que fatores como jornadas prolongadas, exigências operacionais, monitoramento constante por tecnologias embarcadas e a necessidade de qualificações específicas tornam a profissão menos atrativa para as novas gerações. Além disso, modalidades de trabalho com maior flexibilidade, como os aplicativos de transporte, passaram a disputar parte dessa mão de obra.

Embora exigências como exames toxicológicos e treinamentos especializados sejam apontadas como importantes para a segurança viária, elas também elevam as barreiras de entrada na profissão. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que, após a obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas profissionais, houve redução significativa nos acidentes envolvendo caminhões e ônibus nas rodovias federais.

O cenário ocorre em um momento de aumento dos custos operacionais do transporte. Segundo a NTC&Logística, a mão de obra representa quase um quinto da estrutura de custos das transportadoras, atrás apenas dos gastos com combustível e aquisição de veículos.

Diante das dificuldades para renovar o quadro de profissionais, o setor tem discutido alternativas de longo prazo, incluindo programas de formação de novos motoristas, incentivos à obtenção da habilitação profissional e melhorias nas condições de trabalho. A automação também surge como uma possibilidade futura, embora especialistas avaliem que tecnologias como caminhões autônomos ainda estejam distantes de representar uma solução prática para a realidade das rodovias brasileiras.

Para entidades e empresas do segmento, a valorização da profissão e a atração de novos trabalhadores serão fundamentais para garantir a continuidade das operações logísticas em um país onde a maior parte das cargas ainda depende do transporte rodoviário.