Tecnologia com IA permite fechar rodovias antes de deslizamentos em SP
O uso de tecnologia avançada tem transformado a gestão das rodovias em São Paulo, com foco na prevenção de acidentes causados por chuvas intensas e deslizamentos.
Concessionárias vêm investindo em sistemas que combinam inteligência artificial, monitoramento meteorológico em tempo real e instalação de pluviômetros ao longo das estradas, principalmente em trechos de serra. A proposta é antecipar situações de risco e permitir decisões mais rápidas, como o fechamento preventivo de vias antes que ocorram ocorrências mais graves.
Na rodovia Mogi-Bertioga, por exemplo, a instalação de novos pontos de medição permitiu identificar diferenças significativas no volume de chuva ao longo do trajeto, especialmente na região de serra. Com base nesses dados e em modelos matemáticos, a via foi interditada preventivamente em diferentes momentos durante o verão. Em um dos episódios, o bloqueio ocorreu antes da queda de árvores de grande porte sobre a pista, após o registro de mais de 280 milímetros de chuva em 72 horas. O sistema utiliza um coeficiente de precipitação que orienta as equipes: em níveis intermediários, há mobilização preventiva; em níveis mais altos, a interdição é realizada.
Outras rodovias importantes também passaram a adotar estratégias semelhantes. Na Rio-Santos, o monitoramento climático é feito de forma contínua, com dados detalhados por trecho e integração em centros de controle operacionais.
Já na Tamoios, os protocolos incluem análise de acumulados de chuva, inspeções em encostas e acompanhamento de previsões meteorológicas para orientar decisões. Em ambos os casos, o histórico recente de eventos extremos, com quedas de barreiras e interdições prolongadas, reforçou a necessidade de sistemas mais robustos.
O avanço dessas soluções também envolve a integração de diferentes fontes de dados. Plataformas meteorológicas especializadas foram adaptadas para acompanhar as condições climáticas praticamente em tempo real, com atualização constante de previsões e alertas. Em alguns casos, o monitoramento ocorre por quilômetro de rodovia, com painéis visuais que indicam níveis de risco e permitem respostas operacionais mais rápidas por parte das equipes responsáveis.
Além disso, protocolos de segurança passaram a considerar limites específicos de acumulado de chuva em períodos de 24 e 72 horas, acionando planos de contingência antes que ocorram deslizamentos ou quedas de barreiras. Sensores instalados em encostas e estudos geotécnicos complementam essa análise, ampliando a capacidade de prevenção. Há ainda projetos em desenvolvimento que incluem o uso de imagens de satélite para monitoramento contínuo das áreas de risco.
A ampliação dessas tecnologias ocorre em um contexto de aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos, o que exige maior capacidade de resposta das concessionárias. Além de reduzir riscos de acidentes, o monitoramento preventivo contribui para a organização do tráfego e para a segurança de motoristas que circulam por regiões mais vulneráveis.
